O berimbau
Berimbau
Um arco de madeira, retesado por um fio de arame. No centro ou numa das extremidades, meia cabaça ou caixa de ressonância, cuja abertura é colocada na barriga ou no peito do tocador. Este vibra as cordas com os dedos ou com uma varinha qualquer, afastando ou aproximando a cabaça do corpo para modificar o som. É o urucungo, também chamado de berimbau.
Pesquisando um pouco o nosso passado através da história, percebemos que nem sempre o berimbau esteve ligado à Capoeira e que nela foi incorporado, primeiramente, no estado da Bahia. Fomos buscar, nas Artes Plásticas, um reforço para essa afirmação: numa aquarela de 1826 do pintor e desenhista francês Debret, que viveu no Brasil entre 1816 e 1831, aparece um tocador de berimbau, cego, pedindo esmola, bem distante do contexto da Capoeiragem. Na mesma época, em gravura, Rugendas retrata o jogo da Capoeira, acompanhado apenas por um pequeno tambor, sem a presença do berimbau. Hoje, esse instrumento musical é sinônimo de Capoeira e não se admite um jogo ou uma roda sem a sua presença.
Segundo vários estudiosos que trataram do tema, o berimbau é originário da África, existindo em várias regiões daquele continente. Como outros instrumentos utilizados em manifestações afros, foi introduzido em nosso país pelos negros que para aqui vieram como escravos.
"... ô pega esse Gunga / me venda ou me dê / esse Gunga é meu / eu não posso vendê."
Na Capoeira Angola, velhos mestres como Valdemar da Liberdade, Pastinha, Canjiquinha, Caiçara, Paulo dos Anjos, Gigante, Cobrinha Verde e outros afirmam que a orquestra é composta por três berimbaus diferentes em tamanho: um pequeno (Viola); um médio; um grande (Berra-boi). Os três berimbaus são uma tentativa de se dar um caráter de orquestra à roda: o Viola apenas dobra, com seu som agudo; o médio, sola; o Berra-boi faz o grave.
Já mestre Bimba, em sua Capoeira Regional, só permitia um berimbau, que podia ser o Gunga ou o Viola, acompanhado por dois pandeiros. Uma particularidade dos berimbaus feitos pelo mestre Bimba é que não podiam ser pintados. Ele sempre dizia que "Berimbau pintado perde a voz". Seus berimbaus eram, apenas, envernizados.
Convém lembrar que o que caracteriza o Berimbau como grande, médio ou pequeno é o tamanho da cabaça.
Dois pandeiros são também obrigatórios na roda, além dos caxixis que acompanham os berimbaus.
Outros instrumentos como o atabaque, agogô e reco-reco são facultativos e dependem da aprovação ou não do mestre.
Os vários toques de berimbau, escolhidos para o jogo da Capoeira, variam de acordo com a preferência do mestre. Valdeloir Rêgo, em pesquisa de 1968, depois de entrevistar mestres como Bimba e Pastinha, entre outros, conseguiu esta lista de toques: Angola - São Bento Grande - São Bento Pequeno - Cavalaria - Iúna - Amazonas - Santa Maria - Banguela - Angolinha - Ave Maria - Samongo - Angola em Gêge - São Bento Grande Gêge - Muzenza - Iejexá - Assalva - Estandarte - Gêge - Cinco Salomão - Angola-Pequena - Benguela Sustenida - Jogo de Dentro - Jogo de Fora.
Na Capoeira Angola, apenas os toques Angola, São Bento Grande e São Bento Pequeno são realmente utilizados para o jogo e reconhecidos por todos. O ritmo desses toques é acelerado ou diminuído, fazendo com que o jogo fique rápido ou lento.
Mestre Bimba tocava sempre o "São Bento Grande" para jogos mais rápidos, tanto de alunos formados como de calouros. É o toque que caracteriza a Regional. A Banguela servia para jogos lentos, floreados.
O toque Iúna, de ritmo médio, era só para Mestres ( Hoje, geralmente é feito por alunos formados) e exigia-se que os jogadores aplicassem, pelos menos, um dos balões ensinados ( Cintura Despresada ). Outros toques como Amazonas, Santa Maria e Idalina, raramente eram tocados. O Cavalaria anunciava a aparição da Policia Montada a Cavalo, o que fazia com que a roda terminasse ( usada antes da capoeira ser legalizada ).
Para a confecção de um berimbau, são necessários os seguintes materiais:
a) Madeira (Biriba, Araçá, Tapioca, entre outras, para o arco);
b) Arame de aço (tirados de pneus, segundo os mestres, são os melhores);
c) Cabaça (Lagenaria vulgaris, Porongo);
d) Barbante, Sizal, Curmim (para fixar a cabaça ao arco de madeira e também o arame de aço à madeira);
e) Couro (sola) para ser colocado dentro da cabaça, a fim de que o barbante não corte a mesma e, também, para se colocar em uma das extremidades da madeira para que o arame de aço nela não penetre;
f) Cola (para fixar o couro à Cabaça);
g) Taxas (02) para fixar o couro à madeira;
h) Uma baqueta de madeira flexível para percutir o arame de aço;
i) Um dobrão (moeda ou pedra) para fixar os sons, quando encostado no arame de aço.
--------------------------------------------------------------------------------


Do Melhor
Linkk
del.icio.us